ESQUERDA - EXU E POMBA GIRA
As giras deEsquerda acontecem no terreiro na última Sexta Feira de cada mês, sendo em sua maioria Fechadas para os fiilhos de branco ou apenas aberta a algumas pessoas que sejam indicadas por uma entidade da casa. Confira sempre nosso calendário do mês clicando AQUI!!

 EXU

Nós os Umbandistas, temos que mudar os conceitos de Exú e Pomba Gira que foram impostos pelas outras religiões no imaginário popular e que acabou tornando-se uma falsa verdade reforçada por indivíduos ignorantes, sem preparação que se apresentam como Pais de Santo e Chefes de Terreiro. O Exú e a Pomba Gira não são respectivamente o satanás, o lúcifer, o diabo e a mulher da vida, a prostituta, a marginal. A Pomba Gira é o negativo do Exú, no sentido energético. São o Yin e o Yang. Como o são a mulher e o homem encarnados, o que, diga-se de passagem, não é nenhuma novidade na medida em que a Pomba Gira e o Exú na mais são do que Almas, humanos desencarnados em busca de uma oportunidade de trabalho, no Plano Astral, visando sua própria evolução.

Vamos a partir de agora ver o Exú e a Pomba Gira como aquela polícia que guarda e toma conta das ruas obedecendo sempre uma hierarquia de comando, que é o Exú chefe do Terreiro, e, acima dele, os Guias Chefes da Casa. Podemos também ver os Exús como uma polícia que recebe ordens de um comandante.( um Preto Velho ou Caboclo) fazem um trabalho enorme e muitas vezes pouco reconhecido.

O trabalho da Pomba Gira também é sério. É um trabalho de descarrego, de limpeza, de união entre as pessoas. De abertura dos caminhos da vida, seja do ponto de vista material, mental ou espiritual.

O que o Exú descarrega?

São os nossos pensamentos negativos; é nossa sociedade desigual, perversa e preconceituosa; são as nossas ações, nossas emoções negativas se sobrepondo à nossa capacidade de amar. Sabendo que a religião de Umbanda , segundo o Caboclo das Sete Encruzilhadas é "A manifestação do espírito para a prática da caridade", qual a principal função desempenhada pelos Exús em nossos Templos, Terreiros, Casas ou Centros? Na Umbanda o Exú é uma Entidade (alma) que cuida da Segurança da casa e de seus médiuns. Todas as religiões tem entidades que cumprem esse papel.

A reunião de Exú ou Gira de Exu tem como finalidade descarregar os médiuns e os consulentes. Unindo suas energias eles são capazes de entrar em contato e orientar, mais facilmente, almas que ainda não encontraram um caminho. Estas almas vivem, inclusive, entre os encarnados, prejudicando-os, obsidiando-os e até mesmo trazendo-lhes um desequilíbrio tão grande que são considerados loucos. Para este trabalho eles necessitam muito de nosso equilíbrio e de nossa energia, Nosso equilíbrio é utilizado por eles momento em que as entidades sofredoras se manifestarem com ódio, rancor, raiva, nós tenhamos bons pensamentos e sentimos verdadeiros de amor e harmonia para que desta maneira as desarmemos e não as deixemos tomar conta da situação e quem sabe consigamos persuadi-las a mudar de caminho libertando-se assim do encarnado ao qual está ligada; nossa energia é utilizada em casos em que estas almas estão sofrendo com o desencarne, tristes, com dores, humilhadas, desorientadas, assim eles transformam as nossas energias em fluidos balsâmicos que as ajudam, em muito, na sua recuperação. Muitas destas almas desorientadas não conseguem nem se aproximar dos Terreiros de Umbanda pois os Exús da Tronqueira ficam encarregados de fazer uma triagem liberando a passagem apenas das almas que eles percebem já estarem prontas para o socorro, ou seja, prontas para seguirem um novo caminho longe do encarnado ao qual estava apegada. Este trabalho de separação é feito por eles com muito empenho e seriedade e será muito melhor sucedido se o encarnado der continuidade ao mesmo, quando menos melhorando os seus pensamentos e se livrando da negatividade e do medo. Os Exús são almas que riem, fazem troça, mas não brincam em serviço. Por este motivo, é obrigação dos médiuns e dos filhos de Umbanda, em geral, ter por eles o maior respeito e consideração, pois eles são os nossos guardiões e das Giras das quais participamos, responsabilizando-se pela limpeza dos fluidos ou energias mais pesadas. Cada pessoa que entra em uma casa de Umbanda traz consigo seu saco de lixo cheio (são seus pensamentos, suas raivas, suas desilusões...) e são os Exús os trabalhadores encarregados de juntarem todos estes sacos para descarregar, dando a cada um de nós a oportunidade de diminuirmos o nosso lixo e facilitando nossas próximas limpezas. Cada vitória nossa é para estas Almas trabalhadoras um passo no caminho do desenvolvimento.

A SAUDAÇÃO AOS EXUS

A saudação ao Exú é LARÓYÈ = salve , que também quer dizer salve compadre, boa noite "moça". Exú é MOJUBÁ - Moju ( Viver a noite ) Bá ( armar emboscadas) ou seja "armar emboscadas vivendo a noite". Mas na Umbanda o trabalho dos Exús é o de guardião. Assim ao cumprimenta-lo estamos dizendo: Salve aquele que vive à noite e que arma emboscadas. Estamos portanto reconhecendo seu poder e ao mesmo tempo estamos pedindo "Àquele que vive a noite, que nos livre das emboscadas".

BEBIDAS

Gostam muito de bebidas voláteis e a aguardente está entre elas à qual dão o nome de malafo ou marafo; também o conhaque, a cerveja e outras bebidas fortes. As Pomba-giras gostam de anis e champanhe. Não há necessidade de o médium ingerir a bebida, pois a mesma pode ficar num copo e o Exú ou a Pomba-Gira trabalhará com a sua energia utilizando o conteúdo fluídico da bebida.

COMIDAS

Os Exús e Pomba Gira gostam de farofa, dendê, cebola, pimenta, limão, semente de mamona, e as Pombas Giras de enfeites e adornos, sem contar que gostam muito de suas oferendas enfeitadas com Rosas Vermelhas.

EXÚ TRONQUEIRA

Não confundir o trabalho do Exú Guardião com o trabalho do EXÚ TRONQUEIRA. O Exú Tronqueira é aquele que guarda a entrada do Terreiro e passa por uma triagem às pessoas que entram. Por isso a sua casa é colocada junto à porta de entrada e é a primeira a ser saudada. Todos devemos ter o máximo de respeito do Exú Tronqueira, pois se uma Gira corre bem e firme devemos agradecer também a ele.

POMBA GIRA

Pombagira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres.

Pombagira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal e liberada, exibicionista e provocante, insinuante e desbocada, sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade.

Ela foi logo se apresentando como a "moça" da rua, apreciadora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes.

"O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de convenções sociais".

Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida , e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou: "É isso mesmo"! E todos se quedaram diante dela, de sua beleza, feminilidade e liberalidade, e como que encantados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem-lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas.

Aí punham para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimentos com os do sexo oposto. E a todos ela ouviu com compreensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz.

Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades. Quem não iria admirar e amar arquétipo tão humano e tão liberalizado de sentimentos reprimidos à custa de muito sofrimento? Pombagira é isto. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação.

Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa. Mas ela foi logo dizendo: "Cama, só para o meu deleite e mesa, só se for regada a muito champagne e dos bons!

Com isso feito, críticas contrárias à parte, o fato é que o arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas "Moças da Rua", as companheiras de Exu. Aos hipócritas e aos falsos puritanos, pombagira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos… ou pesadelos, provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador.

Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas que, se Freud tivesse conhecido, não teria sido tão atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos. Mas para azar dele e sorte nossa, a Umbanda tem nas suas Pombagiras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas.

Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar. O simbolismo é típico da Umbanda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. Já na Umbanda, é o espírito que "baixa" em seu médium e, entre um gole de champagne e uma baforada de cigarrilha, orienta e ajuda a todos os que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades. São ótimas psicólogas. E que psicólogas! "Salve as Moças da Rua"!